Produção da Apple no Brasil: o que muda?

Apesar da ampla faixa de mercado atingida pela Apple no Brasil, ainda há muitos produtos que aqui são considerados como elitizados, pois os altos custos de importação elevam muito os preços. Um dos principais motivos para esses valores é a falta de uma empresa brasileira no processo de produção, o que transforma os iPads, iPhones e Macs em produtos completamente importados.

Nas últimas semanas, uma série de matérias (1, 2, 3, 4, 5, 6) foi veiculada (em diversos meios da imprensa) com rumores acerca de uma possível fábrica de produtos Apple no Brasil. Isso faria com que os custos de importação fossem reduzidos significativamente. “Importação?”. Sim, ainda existiria um custo de importação para os componentes eletrônicos utilizados na fabricação.

Felizmente, esses componentes possuem taxas de importação mais baixas do que as cobradas para eletrônicos montados. Mais à frente explicaremos o quanto isso significaria para os consumidores em questões monetárias.

O que mudaria realmente?

Hoje, quem quer comprar um iPad diretamente dos Estados Unidos precisa pagar as taxas de importação cobradas sobre eletrônicos. Isso representa 60% de Imposto de Importação e mais 18% de ICMS (valor somado ao total do produto + importação). Em suma, um iPad de 500 dólares (versão mais básica, com 16 GB e Wi-Fi) chegaria ao Brasil pelo valor de 944 dólares (cerca de 1,5 mil reais).

Caso este mesmo aparelho pudesse ser comprado desmontado, as taxas de importação seriam mais baixas. Isso acontece porque componentes eletrônicos possuem tributação diferente da cobrada sobre eletrônicos montados. A verdade é que existem outras taxas, mas mesmo somadas elas são inferiores ao valor da primeira importação apresentada.

Conforme afirma Saulo Cordeiro (Despachante Aduaneiro do Porto de Paranaguá-PR, em entrevista ao Tecmundo), o mesmo iPad de 500 dólares (hipoteticamente vendido desmontado e com as mesmas margens de lucro da montadora) chegaria no Brasil com as seguintes tributações: Imposto de Importação (16%), IPI (15%), PIS (1,65%), COFINS (7,6%) e 18% (ICMS).

Cobradas em modo cumulativo (Tributação em cascata), elas fariam com que o tablet chegasse ao Brasil pelo preço de 840 dólares (1,3 mil reais). E essa redução de 200 reais (de 1,3 para 1,5 mil) é apenas um desconto hipotético, pois sabe-se que, na prática, os valores seriam ainda menores.

Se os componentes eletrônicos puderem ser trazidos ao Brasil diretamente da China, os preços podem cair bastante. Devido às quantidades, haveria mais descontos e se estima que a redução no valor dos tablets possa chegar a 30%. Em termos mais tangíveis, os 840 dólares do iPad importado seriam baixados para 588 dólares (cerca de 940 reais).

Os rumores e o hype

Na metade do mês de março, começaram a circular algumas notícias sobre a possível vinda da Apple ao Brasil, em jornais paulistas. As pautas giravam em torno de um nome muito conhecido pelos fãs dos portáteis da empresa da Maçã: Foxconn. Ela é responsável pela fabricação de iPads e iPhones na China, produtos que serão levados para todo o mundo em seguida.

O que poucos sabem é que a Foxconn possui fábricas no Brasil; duas delas no interior de São Paulo (nessas sedes, a Foxconn fabrica eletrônicos da HP e da Sony). E a ampliação de uma delas, em Jundiaí, gerou o início dos rumores que nos trouxeram até aqui. Sabe como? Por causa dos anúncios das obras, o nome da Apple passou a ser cogitado.

Logicamente isso não aconteceu de maneira gratuita. Os rumores ganharam força devido às notícias da vinda de um executivo de alto escalão da Apple para conversar com o Ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil, Aloizio Mercadante. O próprio Ministro revelou à agência Reuters que a Foxconn vai produzir eletrônicos da Apple por aqui.

(Fonte da imagem: divulgação/Apple)

Mercadante disse ainda que cerca de 100 mil empregos seriam gerados com a ampliação da empresa chinesa. Seriam 20 mil engenheiros especializados em diversas áreas da eletrônica, além de 15 mil técnicos para controlar as máquinas e outros equipamentos. Os outros 65 mil funcionários seriam espalhados por diversas áreas.

Outro membro do governo que também se manifestou a respeito do assunto foi Paulo Bernardo, Ministro das Comunicações. Ele disse, durante uma palestra à Federação das Indústrias, que pretende incentivar a fabricação de tablets no Brasil. Os incentivos fiscais seriam relacionados à cobrança de taxas sobre os componentes, não mais sobre as peças completas.

Para completar a linha governamental deste artigo, temos a visita da presidente Dilma Roussef à China, onde conversou com o presidente da Foxconn. Após a reunião, Dilma afirmou que a empresa chinesa possui interesses em investir altas quantias no Brasil. Esses valores podem ir de 300 milhões até 12 bilhões de dólares.

Influência da Positivo?

Segundo publicamos há poucos dias, a revista Veja confirma a Positivo Informática como principal motivo para a chegada da Apple ao Brasil. Pode ser que você não consiga compreender o motivo disso, mas ele realmente existe. Logicamente não são interesses pensados somente nos consumidores, mas sim por razões político-econômicas.

Caso a Positivo fabrique seus próprios tablets, é muito provável que montadora consiga contratos com o governo – contratos de valores altíssimos. Frente à oportunidade, os executivos responsáveis pelas relações internacionais da Apple estariam decididos a produzir os produtos aqui.

O navio de componentes

Mais informações surgiram nos últimos dias. Várias fontes apontam para a saída de um navio da China, que estaria carregado de componentes eletrônicos, em direção ao Brasil. O período da viagem entre os dois países (por vias marítimas) leva cerca de 60 dias, tempo que seria suficiente para o desenrolar dos processos burocrático e fiscal.

Caso o boato seja concretizado, o navio da Foxconn descarregará uma série de componentes utilizados na fabricação dos iPads brasileiros. Isso reafirmaria o que já disse João Dória Junior, o qual falou que a Apple vai anunciar a produção dos tablets nacionais, ainda em abril.

O que a Foxconn diz?

De maneira resumida: a Foxconn ainda não disse nada, pelo menos em relação aos produtos da Apple. Já foram confirmados os investimentos da empresa nas fábricas brasileiras, mas ainda não estão sendo cogitados os 12 bilhões de dólares comentados pela presidente Dilma Rousseff.

Vale dizer que os planos da Foxconn para injetar todo esse dinheiro no Brasil seriam referentes a um plano de duas fases (2011 e 2013). A primeira fase seria de apenas 300 milhões, a ser realizada nos próximos meses. Mas é necessário dizer também que em nenhum momento a Foxconn afirma que esses investimentos são relacionados aos produtos da Apple.

O problema é que tudo o que a empresa chinesa afirma é vago. Apesar de não citar iPads, iPhones ou Macs em seu texto oficial, produtos de outras marcas (Dell, HP, Sony Ericsson e Sony) também não são mencionados, o que faz com que as esperanças não sejam perdidas.

…..

Infelizmente ainda não foram confirmados os rumores sobre a Apple no Brasil, mas o Tecmundo tem certeza de que isso seria excelente para os consumidores brasileiros. Quem é que não gostaria de poder comprar iPads com preços mais justos?

Mas enquanto as confirmações não chegam, aproveite o espaço de comentários para contar o que você pensa sobre a possibilidade de a Apple estar chegando, finalmente, ao Brasil. Será que estaríamos mais perto também de Apple Stores oficiais?

Fonte: Tecmundo

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